21/04/2017

Ser pinup é...


Todos sabemos que existem vários tipos de de Pinup. Até a forma de escrever não é consensual. Uns escrevem "pinup", outros "pin-up" e outros ainda "pin up".

Na verdade, o termo é atualmente ligado a todo o tipo de mulheres que aderem ao look (e não só) dos anos 50, mas a origem é bastante diferente e remonta não à Segunda Guerra Mundial, como muitos pensam, mas sim (se não me engano) à primeira... E sim, referiam-se a fotografias de esposas e namoradas, recortes de revistas com imagens de famosas ou simplesmente ilustrações retratando a suposta "mulher ideal' ou outras mais" picantes" penduradas nas paredes das casernas, sobre as camas dos combatentes.

Hoje em dia, Pinup é qualquer mulher, seja de que idade for, que goste de vestir-se, pentear-se e maquilhar-se como nos anos 50 (na verdade, é muito mais do que isso, mas fiquemo-nos por agora pela explicação mais simplista), existindo vários estilos: Rockabilly, Cheesecake/Housewife, Classic Hollywood, Sailor, Tikky, entre outros menos usuais (o blog brasileiro MenteFlutuante Retrô tem um post bastante interessante a esse respeito aqui: http://www.menteflutuante.com.br/2013/01/tipos-de-pin-up.html ). Aliás, o Brasil é fantástico no que diz respeito ao mundo vintage. Aqui, sem dinheiro ou conhecimentos, dificilmente chegamos a algum lugar. É um mundo tão pequeno que não percebo porque não somos mais unidos.
No entanto, destaco alguns pela positiva, claro (não mencionarei nomes, pois corro o risco de esquecer alguém e ser injusta). A simpatia e a humildade não custam nada. Se nos pudermos ajudar uns aos outros, melhor ainda, como fez o fantástico vocalista da extraordinária banda de glamour e nostalgia Lucky Duckies, Marco António, ao aceitar participar no vídeo promocional das Retromodels (confiram no final do post) ou o André Pires da New Vintage Photo, que me autorizou a utilizar como quisesse as fotos que me tirou para promover o meu projeto. 

Já me disseram que estou a perder-me em Portugal, que aqui jamais darão valor a uma "pinup cantora" (a Miss Mary Dee é uma personagem, a dona de casa atrapalhada durante o dia, que se transforma numa diva à noite) , que é um conceito único no país e jamais pegará, a menos que o mude completamente, pois  o mundo vintage nacional resume-se a Rockabilly e Burlesco (única exceção feita aos referidos Lucky Duckies) e a mente portuguesa é fechada demais e... Mas será mesmo? Não caberá a nós abrir essas mentalidades? Não é minha intenção ser uma estrela, portanto também não me incomoda sobremaneira a falta de resposta às minhas propostas de atuações em lugares que celebram o vintage e o retro em todo o seu esplendor (exceto a "Pensão Amor", que não só me respondeu como me conratou para uma noite deliciosa, que - tenho a certeza - agradou a todos os presentes).

Ora o mundo das pinups é extremamente democrático (como deveria ser o mundo vintage em geral) e abarca vários tipos de Pinups. Independe de idade, tipo físico, ter ou não tatuagens, ter ou não piercings ou cabelos de cores alternativas. 

Não sou menos pinup por não apreciar burlesco. É uma arte, reconheço-a, mas não faz o meu estilo.
Não sou menos pinup por não ter tatuagens ou piercings. Aliás, as mais puristas não os têm, pois, sejamos francos e objetivos, tatuagens e piercings estavam bem longe de ser moda nos anos 50. Raras eram as pessoas tatuadas naquele tempo (e, as que existiam, eram muito mal vistas).
A diva Dita Von Teese também não tem tatuagens (a menos que contem com o sinal no rosto, que é tatuado e não natural.)  O que acontece é que, hoje em dia, sendo o estilo vintage alternativo, grande parte dos seus adeptos são-nos igualmente do supra-sumo da moda alternativa: as tatuagens.
Não sou menos Pinup por não posar de lingerie nem mostrá-la. Há espaço para as mais atrevidas e confiantes, bem como para as tímidas e recatadas.
Não sou menos pinup por não ter como Diva-mor a Marilyn Monroe. Sou fã, sim. Gosto muito daquilo que ela representa para o mundo vintage, gosto da maioria dos filmes dela, simpatizo com ela, é uma das minhas inspirações (um dos meus sonhos é interpretá-la num musical sobre a vida dela) e até tenho algumas coisas em comum com ela... Mas, para mim, a diva das divas nem teve o seu auge nos anos 50 e sim 40. É a inigualável Rita Hayworth, cujo cabelo é o meu sonho de consumo desde criança.

Sou uma pinup cantora, adepta do estilo Classic Hollywood para espetáculos, Cheesecake/Housewife para sessoes fotográficas e Rockabilly para o dia a dia. Nem sempre me cinjo aos anos 50. Tenho um pé nos 60 e outro nos 40 em termos de visual... Sem contar com todas as vezes em uso um look contemporâneo. Não. Não deixo de ser Pinup por isso. Nem por  não usar eyeliner todos os dias (nem as mulheres dos anos 50 o faziam - na verdade, apenas o blush, o rímel e um pouco de batom eram o mais normal). 

Ser Pinup é um estado de espírito. Basta sermos apaixonada por décadas passadas. Qualquer uma pode ser uma Pinup... Tu também. :)

Notas quanto ao vídeo:
Correção: É "Mademoiselle Béatrice" e não "Madmoissele Beatrice".
Observação: A data que surge no final refere-se ao Pinup Show que as Retromodels deram no mês passado, um fantástico desfile ao som da minha voz, na casa de espetáculos Theatro Club, no Cacém, a quem muito agradecemos a forma como fomos tratados. :)

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